sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

CURAR RESACA

O natalense já provou que gosta de forró até debaixo d’água. Faça chuva, faça sol, tenha show de rock, rave ou micareta, não há quem supere os embalos e o calor do forrobodó. O arrasta-pé é o que manda nas preferências dançantes dos moradores da capital, portanto, quanto mais próximo deles, melhor. Uma das atrações mais recentes dentro do circuito das sanfonas fica bem perto de Natal: o Forró do Jerimum, na estrada de Parnamirim, segue a linha dos forrós que tem feito sucesso nos últimos anos: exalta o som pé-de-serra, capricha no visual de interior, e conta com uma estrutura de cidade grande. A casa foi aberta há dois meses, e já conta com um público cativo e crescente. É só tocar a sanfona, que o povo começa a chegar...“O nosso público é: natalense que gosta de um bom forró pé-de-serra”, resume Jane Farias, que comanda o Forró do Jerimum ao lado da sócia Zenóbia Melo. A casa abre suas portas para o arrasta-pé sempre às sextas-feiras, a partir das 19h. A festa começa cedo, segundo Jane, devido a proposta de happy hour. “A gente quer ser um ‘happy hour pé-de-serra, em que as pessoas possam até levar os filhos para participar”, afirma. Atrelado ao forró há um restaurante de comida regional, na área externa, onde muita gente faz hora até entrar, ou vem só para petiscar ou beber algo. A festa segue até as 2h da madrugada. O forró, por dentro, é um amplo espaço com estacionamento para 250 carros; o ambiente interno tem palco para a banda, um bar temático regional (estilo bodega), e pátio onde as mesas se espalham. No local funcionou por mais de dez anos o complexo Avesso. Até que as proprietárias resolveram seguir outro rumo, e reinventar a casa de uma forma completamente diferente da anterior. Após cinco meses de reforma, nasceu o Forró do Jerimum, com nova proposta e novo público. “A clientela, em geral, são casais e grupos de amigos dos 25 aos 40 anos, mas sempre tem gente mais nova ou mais velha. Todo mundo curte um forrozinho”, afirma Jane. A casa se lançou, criando desde sua abertura, o 1º Circuito Pé de Serra do RN, uma maratona de shows que se estende até março, trazendo só artistas potiguares para tocar forró toda sexta-feira. “A gente quer valorizar o artista da terra, mostrar que aqui também tem forrozeiro bom. Os melhores vão se apresentar de novo no final da temporada”, explica Jane. Hoje se apresentam Neneu e a banda Panka de Banana. O FIM DE SEMANA conferiu o Forró do Jerimum numa noite de plena agitação pré-carnavalesca no resto da cidade. A casa estava cheia mesmo assim. Na área coberta em que a banda tocava, os casais se apertavam para dançar numa pista de dança completamente lotada – o que não chega a ser incômodo num forró realmente “arrochado”. Temperatura alta, e muita resistência para levantar a poeira. O empresário Ramon Costa, 48, era só rodopios na pista com a sua parceira de baile. “Eu sou o melhor dançarino de forró do estado!”, brinca. Ele conheceu a casa por indicação do filho. E aprovou. “É muito bom curtir um forró pé-de-serra tão perto de casa”, diz, animado. O casal Simone Melo, designer de sistemas, e Emerson Fonseca, técnico agrícola, habitués das festas forrozeiras mais distantes, estavam vindo pela primeira vez e gostando do forrobodó. “Achei o espaço muito legal. É muito bom poder ter uma festa semanal de forró, já que a maioria é mensal. Se continuar no pé-de-serra, vai ser muito bom”, afirma ela. O consultor de vendas Marcos “Pititinga” Antônio veio a convite de amigos e virou fã. “Em João Pessoa nós temos isso direto. Natal deveria reforçar suas noites muito mais atrações de forró, sobraria festa para os moradores e turistas”, disse. O estudante Anderson Medeiros, 19, gostou do ambiente rústico, e também de poder incrementar suas noites de sexta. “Gosto de forró, mas não havia nada pra fazer por aqui. Agora tem”. Serviço:Forró do Jerimum. Toda sexta-feira, das 19 às 2h (em frente ao Posto doDudu), na estrada de Parnamirim. Entrada: R$10. Universitário de Natalnão paga ingresso até meia-noite. Tel.: 3643-6665. Grupos de forró entram no circuito do Rastapé Enquanto isso, a programação segue firme no Rastapé, uma casa de forró que emplacou na praieira Ponta Negra, há dois anos e meio. Todo no estilo regional, o espaço temático recebe shows às quartas, sextas e sábados, caindo nas graças do público jovem natalense - principalmente, o universitário. Sem grandes nomes, a o Rastapé traz basicamente bandas locais. Hoje tem Playboys do Forró e Forró Melado; amanhã tocam Fuxiqueiros do Forró e Panka de Banana. Segundo o espanhol Luis Rubio, um dos sócios da casa, o Rastapé cresceu por apostar num público direcionado. “Apontamos para os universitários e natalenses. Investimos para agradá-los, e não só aos turistas. Por isso, eles se sentem à vontade por aqui”, diz. O Rastapé é um local fechado e espaçoso, com três ambientes – incluindo quatro bares. O cardápio é basicamente de petiscos, com destaque para os espetinhos, de queijo coalho a camarão. Serviço:Rastapé. Sexta e sábado, a partir das 22h. Entrada: R$10. Rua Aristides Porpino Filho, Alto Ponta Negra. Confira as agendas dos forrósSeja qual for a distância, uma boa trilha forrozeira nunca deixa de atrair os adeptos do arrasta-pé. A agenda da Grande Natal já tem seus nomes estabelecidos e com agendas fechadas. O pioneiro Forró da Lua confirmou festa para o dia 07 de março, com as presenças de Dominguinhos, Waldonys e Eurides – o pai de Waldonys, numa rara apresentação em palco. A noite também reservará homenagem para Patativa do Assaré, que completaria 100 anos no próximo dia 05. “Vamos falar sobre ele e a importância de sua obra dentro e fora do país. É importante lembrar as pessoas de seus artistas importantes”, diz Marcos Lopes, criador do Forró da Lua. Criado em novembro de 2002, o Forró da Lua se tornou sucesso por investir na cultura nordestina como forma de diversão e conscientização, aliado a uma boa estrutura. De boca em boca, foi atraindo um público cada vez maior, e acabou influenciando várias outras iniciativas forrozeiras de raiz. A festa atrai uma média de 2 mil pessoas por mês. “Valorizamos a cultura do sertão, e isso foi um diferencial, já que ninguém fazia”, diz. Entre os artistas favoritos que já tocaram na casa, estão Dominguinhos, Santana, Flávio José. Petrúcio Amorim, Zé e Luizinho Calisto (virtuoses da difícil sanfona de oito baixos), e o saudoso Elino Julião. Já o Forró do Pote está em recesso de folia, e só volta a levantar poeira em abril: será dia 04, com o lançamento do CD de 20 anos de Amazan. Motivo da parada: reforma no local onde o forró acontece. “A gente estava planejando essa reforma há um tempo, e agora é o momento ideal”, diz o proprietário Zailton Tavares. As reformas incluem o aumento da área calçada para as danças, e mais cobertura para o salão de dança. Será mais conforto para os dias de chuva que virão por aí. No palco do Pote, já fizeram o público dançar mais agarrado, nomes como Nando Cordel, Flávio José, Dorgival Dantas, Jorge de Altinho e Alcymar Monteiro.

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